Ao abrir os meus olhos, paredes e tetos a todo o meu redor
Reparando do meu berço, eu ficava observando sem dó
Vozes ecoando pela casa de todos os lados
cômodos as vezes que se pareciam apertados
Mas suficientes para alegrar toda minha família, pai, mãe e irmãos
Símbolo forte de nossa grande união.....
Dos primeiros passos a parede vinha sempre a me apoiar
Alegria da minha mãe que nunca se indispôs a trabalhar
Na casa com meus irmãos vivíamos brincando
E em um espaço da cozinha minha mãe sempre trabalhando....
Meu pai era um exímio tecelão, dons incríveis de sua excelente mão
É, a vida não era fácil não, mas em casa nunca faltou o pão
Desta forma o tempo sempre e sempre a passar
Diante de nossos olhos através de muitos pedidos passamos a nos casar....
E a casa aos poucos ia ficando vazia então
Talvez presente ingrato que demos aos nossos pais, solidão
Ponto este que sempre tentávamos de alguma forma compensar
unidos no final de semana, filhos e netos em sua casa passávamos a popular
A casa ficava novamente cheia então, gente da cozinha até o portão.
Todos juntos com paz no coração, momentos felizes de montão......
E a casa sempre lá, e os diversos cabelos brancos a chegar
Muito sem nada o que fazer
sucatas e latas faziam o tempo padecer
A casa já não era mais a mesma
rachaduras, umidades, cupins ao longo do tempo vinha a aparecer
E meus velhos sem muito o que fazer
Portanto de casa meu pai se mudou
Para Casa de Deus enfim ele se apresentou
Restando a minha mãe viver com os filhos e tristeza guardada
Aos dias a memória cada vez mais falha....
Onde fica a casa então.....
Nas mãos de pessoas que dela querem se livrar
E todo um sonho feliz com ela enterrar.
Magaly Zingaro
(Maga)
12/06/10